Thursday, March 30, 2006

veneno

Têm alguns momentos nas nossas vidas em que sentimos o coração bater mais devagar, como que se pedisse algum estímulo para continuar bombeando. Este estímulo vem normalmente de outro coração que bate no mesmo compasso que o nosso, para, enfim juntos harmonizarem a vida.
Sinto que me falta este outro há muito tempo, porém ele nunca aparece. De vez em quando ele ameaça surgir, mas logo depois tira a máscara de príncipe e me mostra que é um impostor, não é um amor...
Preciso de alguém que me dê carinho, preciso de alguém que me dê apoio, alguém que diga que estou bonita mesmo usando aquele moletom velho, alguém que divida o pão de queijo comigo, alguém que cuide de mim, pergunte se comi, se dormi, se estou feliz, alguém que quando chegue me faça sentir arrepios e borboletas no estômago, alguém que me abrace ,e em cujos braços se encontre o porto mais seguro, alguém que me leve pra voar quando tudo aqui na Terra parecer chato ou triste demais... Alguém que me ame, que me deseje, que me devolva a vontade de viver.
Maior que a dor de amor é a dor do vazio. Este oco que me mata lentamente...E através desta dor insuportável à meu coração, eu invoco ardentemente à esta divindade suprema:
Que tu, ó amor, ressurja em minhas entranhas e me arraste contigo por toda a vida e para onde quiseres que eu vá! Peço insistentemente que me mate e possua inteiramente o meu corpo para servi-lo. Deteriore se preciso o meu coração, esfolando-o de tal forma que o deforme de tanta dor, mas que o use, não me deixes desamparada como estou! Me leve contigo para a morte, se for preciso, me doando o seu doce e suave veneno...Porém não é o que vejo... Oh ingrato tudo bebeste sem deixar uma só gota amiga que me ajude a seguir-te? Beijarei teus lábios!... Talvez haja neles um resto de veneno para fazer-me morrer como um reconfortante! Teus lábios tão quentes!...