Friday, December 02, 2005

Do meu jeito...Um dia eu podia ser Deus!

E se todo mundo pudesse ser o que quisesse por um dia?
O que você seria ?
Quem nunca pensou nisso, está mentindo. É fato.
Eu seria uma aviador, para ver o mundo de cima, ver todas as coisas como eles vêem. Mas eu queria ser um aviador no começo da carreira sabe? Quando tudo ainda é lindo, o céu é o infinito e não só um caminho para ter dinheiro no final do mês. É! Eu seria um aviador no primeiro dia no céu, onde o avião, é só um “a mais” para ficar mais perto das nuvens.
Eu seria um músico. Ou melhor, eu seria um maestro. E eu regeria a minha orquestra como um nascimento, como se tudo aquilo que estivesse sendo ouvido valesse a pena! Que das notas musicais saíssem palavras de conforto para aqueles que precisassem , ou aquilo que a pessoa precisava ouvir.E eu sentiria a música, em mim e em todos. Eu seria um maestro recém formado, por que ai, estaria me importando mais com que os outros se sentissem bem com a música do que se ela ficaria perfeita ou não.
Eu seria uma psicóloga para saber o que se passa na cabeça das pessoas, e saber se elas são assim tão estranhas internamente quanto eu. Mas eu teria sido uma psicóloga logo no início da carreira, onde cada coisa que eu ouvisse fosse uma descoberta nova dentro de um mar tão imenso que é um ser humano, e não depois quando cada caso é só história de mais um livro...Um livro e nada mais.
Eu seria uma babá , cuidando das crianças e vendo cada dia nelas um paraíso de pureza e inocência jamais antes visitado. E bem aquelas babás que ainda não cansaram das crianças e cuidar delas não é um martírio, um cansaço diário. Eu seria uma babá para que em mim fossem renovadas as coisas que naquelas crianças ainda eram tão novas.
E por fim, eu seria um padre. Pra sentir esse amor tão imenso por toda a humanidade e pra poder participar mais de perto ainda do milagre da consagração e tocar no pão exatamente no momento em que ele vira carne e beber do vinho , que é sangue.Deve ser irado. Mas um padre novo, com idéias juvenis que fossem abertas e prontas para perceber que o mundo muda e que ser padre é muito mais do que acompanhar o desenvolvimento da igreja, mas sim o desenvolvimento dos paroquianos, por que para mim, ser padre é muito mais do que ser líder, é ser pai.

Mas eu continuo sendo eu. Não que isso seja ruim, e nem que todos os padres, psicólogos, babás , músicos e aviadores não tenham paixão pelo que fazem desde o começo até o todo sempre.
O que eu não gosto é da rotina, é da perda do brilho das coisas.
Eu gosto de ser conservadora, por que quem conserva guarda coisas boas.
Eu não gosto de me deixar levar e esquecer de me importar, com o que realmente me faz feliz.

Eu não quero olhar pro céu e ver um emaranhado de nuvens, mas eu quero olhar e ver que ali é onde os pássaros voam e onde quando criança, era meu sonho chegar.
Eu não quero olhar para uma pessoa e estudá-la como se ela fosse uma lição, eu quero entendê-la.
Eu não quero olhar para uma criança e pensar no trabalho que ela vai me dar, mas sim olhar para ela e pensar na alegria que ela vai me proporcionar.
Eu não quero pensar que eu cuido de monumentos, mas sim de pessoas, e de suas almas.
Eu não quero arrumar perfeitamente a música, eu quero senti-la perfeitamente.

Eu quero viver, do meu jeito, sem atrapalhar ninguém , mas do meu jeito.
E viver intensamente ... Desse meu jeito.