Saturday, October 29, 2005

Talvez

Estava estranho... Tinha algo muito diferente no jeito como ele a tocava, dirigia-lhe a palavra, a olhava. Parecia desejar-lhe, interessar-se pelo que dizia. Não que ele nunca se interessasse, mas naquele dia era diferente, mais presente, uma presença que ela não conhecia vinda dele.
Conforme decorria o dia, mais estranho ele ficava, e durante a tarde toda ele ficou do seu lado. Foi bom, puderam conversar muito. E finalmente a noite chegou.
Foram todos , ela, ele e seus amigos para a casa de um deles. Era uma casa grande, iriam pedir uma pizza; básico. E, já acostumada com o inesperado interesse, foi com ele e mais uma meia dúzia ouvir música no quarto do dono da casa, violão; básico.
Deitou-se na cama e ele logo ao seu lado começou a acariciar seus cabelos, longos e negros, e sem perceber seu coração disparara de tal forma que ficou com medo que alguém escutasse.
O quarto foi-se esvaziando e ficaram apenas eles dois e o amigo músico no recinto. Estava calmo, eles conversavam, quando de repente ele debruçou-se sobre ela, começou a acariciar sua mão, delicadamente, seus dedos começaram a entrelaçar-se , e sem nenhuma palavra excedente ao momento ele a beijou.
O beijo foi uma de suas experiências mais fortes por ter vindo dele, lógicamente. Eram amigos e simplesmente aconteceu, ela estava totalmente atordoada, mas imensamente feliz, e não sabia o porquê. Talvez o relacionamento iminente tenha lhe despertado uma certa ansiedade, ou até mesmo havia ali uma paixão enfim desperta, talvez fosse ele o tal príncipe...

Saturday, October 22, 2005

Caçadora de mim

Dói tanto! Parece que está tudo fora do lugar. Tudo o que tento, tudo o que sou, tudo o que preciso ser está vazando por entre meus dedos, pelas minhas mãos frias e enrugadas. Sim, sinto-me como uma velha prestes a morrer que já não tem futuro ou poder sobre o passado, restando-lhe apenas lamentear-se pela vida de merda que teve, deixando para depois tudo o que era importante, tudo o que realmente importava, mas só descobrira agora; acabou.Ela está morrendo, sozinha.
Esta solidão me arraza como uma grande onda dentro do meu peito, aranca meus sentimentos, sonhos e desfaz o castelo da esperança tão rápido quanto a morte pode ser, porém é pior do que ela ,é vazio, oco.
Não sinto nada, não quero nada nem ninguém, mas dentro do meu peito existe uma força que grita exorbitantemente pedindo ajuda:" alguém por favor!"E o nada. Ele se mistura com a solidão residente e juntos me afogam tirando-me a vida, o prazer, a sensatez, me destrói, corrompe, me marca, me termina, me dopa.
Torno-me assim lobotomizada por este sentimento, este sofrimento. Não sou mais nada, vegeto, esperando morrer a qualquer momento se não for salva.

Preso a canções
Entregue a paixões
Que nunca tiveram fim
Vou me encontrar longe do meu lugar
Eu caçador de mim

(...)

Longe se vai
Sonhando demais
Mas onde se chega assim
Vou descobrir o que me faz sentir
Eu caçador de mim

Friday, October 21, 2005

Olhos negros

Às vezes me sinto perseguida.
Voltando hoje, às dez e quarenta da noite. Era só um quarteirão que tinha que percorrer, mas a sensação invadiu-me.
Olhava para os lados, constantemente e procurava manter-me embaixo de luzes.
Um carro parou na esquina. Será que queria sequestrar-me? Não sei, disparei.
O casal parado embaixo do toldo era suspeito, e me fitaram até virar a esquina.
Vim já com a chave na mão, mas será que era rápida o bastante?
Malditos sapatos que escorregam no piso que antecede a entrada do prédio.
Perdi tempo, acelerei o passo, entrei correndo, me certifiquei que a porta estava fechada e subi.

Lá fora ainda chove, e amanhã, ele estará lá de novo, a me perseguir.

Monday, October 10, 2005

Por um instante: egoísta!

Chego a conclusão de que o problema sou eu.
Meus pensamentos são as peças do malabares, trocam a todo momento de lugar, e de repente param, perdem a graça.
Sim, eu sou incostante,eu sou estúpida,eu sou viajante do mundo, mas o mundo do "meu próprio eu solitário".Eu tentei mudar.Só me aborreci.E até mudei um pouco, e só me aborreci mais ainda.Agora não encontro mais o eu.Procuro-o incansavelmente,mas ele ficou por aí,perdido em uma das viagens.
Já não me importa quem estará comigo, até quando e até onde.O que me importa é estar comigo mesma.O que para mim, é uma satisfação atual inexistente, afinal não sei como encontrar o eu.
Quero um momento só meu e do meu eu.
Um diálogo de eu para eu mesma.
Quero chorar sem alguém perguntar o por quê,quero rir sem precisar compartilhar o motivo,quero sair e não avisar que horas volto.
Quero ser egoísta e dividir minha privacidade só comigo mesma.
Quero confiar em mim.
Quero saber quem sou,mais do que ela, agora procuro o eu.

"Numa moldura clara e simples, sou aquilo que se vê."

para: digo que não ligo, mas não vivo sem você.

Monday, October 03, 2005

Eu não me vejo...

Cami, esse você sabe pra quem é !!!! ;)


Ele é alto, moreno, sedutor.
Já não sei mais como vê-lo, do que chamá-lo.
Já não consigo chegar perto sem querer abraçar, agarrar, apertar o seu corpo contra o meu.
Ele é o tudo, ele é o nada.
Eu o amo, mas não desse jeito de amor, eu o amo simplesmente por amar. Por ele ser assim tão especial. Mas eu o quero por ele ser assim tão sensível e provocante.
Sem querer ele se torna o centro das atenções. Psicológicas, com sua inteligência e vontade, e físicas com seu corpo ( que dentro da caixa torna-se o ápice de toda uma vida em apenas um instante).
Instrumento de desejo, mas eu sei, infla minh´alma. Me ensinou muito, e sei, ensinará muito mais. Viagem verdadeira dentro do corpo que me chama e da mente que me acalma.
Penso se é(?), será? Já não sei, ou sei e quero não saber, só sei que é especial.

Um desejo-o calor, e uma certeza-quem e o que é para mim.

Não te dizer o que eu penso Já é pensar em dizer -para o tempo atual da minha vida !