(para ler-se devagar, bem devagar, quase parando)
Era um dia ruim, não tinha feito nada de novo, um dia no qual precisava de um abraço, um beijo, um carinho de quem amava, no entanto, recebeu contas, broncas, xingamentos, doenças, trotes, humilhações, mas um dia assim, mas um dia ruim, 365 dias de tristeza e solidão, olhava pela janela do décimo segundo andar, e via aquela selva de pedra, de pobreza, pessoas pisando uma nas outras para se dar bem, e se via, se via na base dessa pirâmide, sendo massacrada, abre a janela, e sente o vento batendo em seu rosto, um ar que todos respiram, um ar sujo e podre, que sai dos pulmões das piores pessoas e chega até sua casa, trazendo cada vez mais podridão, olha para baixo e vê a piscina, com aquele fundo azul que até parecia ser da própria água, e vê que o volume de água é o mesmo volume de lágrimas que têm chorado durante anos, sobe no para peito da janela, pensa na infância, nas brincadeiras de rua, nos amigos que achava que iam ser para sempre, na alegria que virou desgraça, pela última vez olha para dentro de casa, e percebe o tanto de porcaria que havia acumulado durante anos, anos, 37 anos, e ela se joga, se joga para o que acreditava ser a solução, não estava pensando em nada, não conseguia, só percebia a aproximação do chão, que por fim chegou.......e já não estava mais aqui, caiu ao lado da piscina, onde água e sangue se misturaram e se uniram em uma só palavra.............decepção.
Obs.: Texto cedido gentilmente por Angélica Begatti Victorino.
Aos amigos que se sentirem a vontade, fica aqui o convite de adentrar esse mundo , onde ficção se torna realidade e realidade se torna ficção. O poder das palavras!Obrigada , Dé!
