Desconhecida
Acordou bruscamente no meio da noite, com uma sensação estranha, como se estivesse sendo perseguida. Levantou-se e resolveu checar as trancas das portas , estava tudo bem, trancado, ninguém poderia ter entrado em seu apartamento e seus pais dormiam tranqüilos.
Bebeu um copo de água e foi ao banheiro. Lá ainda jazia a caixa finalizada de antidepressivos e anorexígenos que havia tomado na tarde anterior, estava fazendo um "no food", e já no quarto dia não tinha mais forças para arrumar seu quarto ou banheiro, a empregada chegaria na manhã seguinte, mas se visse aquelas caixas ali alertaria seus pais.
Subiu na balança :43 kg.
Apenas dois quilos a menos. Com uma imensa vontade de chorar lavou seu rosto e engoliu os soluços na toalha. Passou a mão pôr seu abdômen e sua garganta contraiu ainda mais, estava enorme. Nada adiantava.Sentou-se na privada e usando a mesma toalha abafou mais soluços, agora desesperados, não sabia o que acontecia com ela mesma.
O ódio era tão grande que sentia vontade de sentir dor. Procurou na gaveta a sua tesoura e levantando a manga do pijama fez dois cortes retos e fundos nos seus antebraços . A ardência daquele flagelo fazia com que sua culpa diminuísse, com que seu ódio se consumisse, seu sangue era como um licor que manchava o chão, e suas vestes lentamente, distraindo-na.
Após meia hora gozando da dor induzida, levantou-se e limpou de qualquer jeito a bagunça, tirou a roupa e levou para a área de serviço, quando voltava , passou pelo corredor e viu uma menina parada, uma menina horrível, descabelada, com os braços inchados e sujos de sangue, as pernas arranhadas e olheiras enormes, seu corpo era deformado como um saco de ossos e sua expressão era de dor, sofrimento. Ficou ali parada fitando a desconhecida do corredor, sentindo pena e medo, paralisada durante algum tempo, até que pode perceber, a desconhecida era seu reflexo no espelho. Reflexo que já não era ela mesma , era outro corpo ,outra pessoa, outra vida. Daria qualquer coisa para voltar a ser o que era a 5 anos, quando ainda podia sonhar em ser feliz.
Vestiu-se com um novo pijama, lavou os ferimentos e fez curativos com gaze, e voltou a deitar, mas não podia dormir, não dormiria, os remédios não deixavam-na e a imagem do espelho a impedia.
ps1.:Aê, este é para variar um pouco a melosidade.... Pra você Bib's, do seu jeitinho, agora falta só o erótico!rsrs
Ps2.:Valeu Cami!!!
