Monday, August 01, 2005

Afogada

E sentada ela permaneceu por mais alguns instantes, estes que pareceram mais uma eternidade diante do fato do qual havia se dado conta. Olhou para o céu tentando encontrar algum refúgio, por mais ínfimo que fosse diante de tal descoberta que a embrulhava em uma nuvem parda.
Sim, ela ainda o amava.
Depois de tanto sacrifício que fizera para esquece-lo, para viver sua vida de uma maneira mais livre e desencanada, ao olhar para trás, percebeu que tudo fora fingimento, nada do que havia feito tinha algum sentido realmente importante e não havia ninguém que mexesse tanto com seus sentimentos quanto ele, ninguém que conseguisse faze-la se perder de maneira tão instigante como ele fazia, sem esforço algum.
Muitos tentaram roubar seu coração, muitos tentaram faze-la namorada, mas nenhum pôde. Ela, como constatara a pouco era dele. Seu coração já tinha um dono, que não dava valor algum a ele, mas era seu dono e ninguém poderia mudar isso. Fora ele o escolhido e olhando ainda para o céu, ela tentava descobrir o porque, mas este ,encoberto, não dizia nada e nem dava espaço para que pudesse ao menos tentar fugir da realidade que a ela era designada.
A nuvem que a envolvia levava seu pensamento somente àqueles olhos, aqueles que a hipnotizavam cada vez que iam de encontro aos seus, que a transformavam em uma completa idiota e tinham o poder de manipulá-la. Eles eram seu refúgio, e seu maior medo. Neles ela se encontrava e se perdia tão rápido quanto seu batimento cardíaco acelerava.
Levantou-se, não podia mais ficar presa àquele olhar, lavou o rosto e olhando-se no espelho começou a chorar. Nunca poderia ser feliz se não tivesse aqueles olhos nos dela, para sempre. Havia mergulhado, e já não podia mais voltar.