Thursday, June 09, 2005

Carnívora de almas

Nem tudo está a nosso alcance.
Nem tudo que queremos, temos.
Rotina maldita que destrói a vida aos poucos.
O sentir que sua vida é como um indivíduo clunâmbulo.
O amargo sabor de nada fazer, de nada ser, de nada querer.
Quase uma mulher de tpm. Vivendo como nada, para o nada.

Doce solidão que consome a alma.
Angustia que dá prazer.
Cocainomania de dor, portanto “dorinomania”.
Dentro de uma encoadura, quase morta, como um peixe ao seu saboroso destino: os estômagos humanos que pouco se importam em saber o que deixam para trás.

E vem você, sorriso aberto, me dizendo que a vida é como o mar.
Omófago de palavras. Precipitado ao dizer suas idiotas teorias de quem acha que um dia será alguém.
Eu? Simples mortal, em processo de ontogenia, estudando a ontogonia e as horríveis tradições daqueles que a vivenciam: eu.
Mais uma no meio da multidão, a devorar vidas, prazer em matar, prazer em morrer.