Friday, March 18, 2005

Relatos

Lá estão elas, velhas amigas sentadas na sala, colocando a conversa em dia.
Relembraram o passado, preveram o futuro e já iam comentando o presente quando a tal pergunta que tanto esperavam nesses encontros lançou-se pela mais recatada:
-Mas gente, e os caras como vão?
Não pense que são jovens garotas conversando sobre os carinhas da balada, ou os beijinhos no cinema. Uma frase pode englobar muito mais do que suas meras palavras possam transparecer ao nosso primeiro impacto com a mesma.
Na verdade verdadeira( ênfase terrível), todas sabiam que só desejavam encontrar-se para falar sobre aquilo, aquele era o momento. Eram as únicas pessoas com as quais podiam abrir o jogo e dizer o que realmente acontecia.


-relato um, Jéssica de Almeida, Jéianui*

Sentada no canto direito da sala, ele veio em minha direção. Já iam meus seios arrepiando-se e transparecendo na camisa, o sinal de que começava a me excitar. E ele continuava a caminhar na minha direção. Eu, de saia não contive o impacto e ao vê-lo caminhando fui abrindo as pernas lentamente como que um convite simples e singelo a invadir meu paraíso, e ele, aceitou.
Chegou o mais perto que pôde e respirou no meu ouvido um ar quente, sussurrante , convidativo, e acariciando meus seios, tirou meu sutiã pelas costas com apenas uma tocada.
Experiência! E era o que eu queria naquela noite, que ele me possuísse com a completa certeza de que sabia o que fazia.
Tirou minha blusa, abaixo as alças do sutiã já aberto, e lentamente lambeu cada bico dos meus seios, votando-se de tempos em tempos para cima e me beijar os lábios com um beijo que me levava ao delírio.
Agarrou-me pelos braços e , estrategicamente, me deixou em pé com as pernas levemente abertas, abriu minha saia e a derrubou. Senti o tecido fino deslizar pelas minhas pernas até o chão, ficando como uma poça sobre meus pés.
Enquanto abaixava minha saia, mordia meu pescoço de uma maneira que arrepiava todos os pêlos de meu corpo, sem exceção. Abaixou-se até a altura de minha vagina, e com a boca tirou minha calcinha, me levando à loucura.
Eu gemia, e ele me fazia gemer mais.
Com a boca, com as mãos.
Ficou em pé, abriu a calça, e lá um de frente para o outro, fizemos o chamado sexo. O mais perfeito possível.
Já estava por fim, colocou a mão sobre minha cabeça e me empurrou muito levemente até a direção de seu pênis e com a voz rouca e sedutora, sorriu e disse:
-Chupa.
Nada mais podia fazer, era como um mestre, obedeci.
Acabei, levantei-me, me deu um beijo na testa, subiu as calças e se foi pela porta esquerda.
E eu fiquei ali, admirando tudo em minha mente.Com a saia sobre os pés, o sutiã à esquerda , a blusa à direita e surpreendentemente, os cabelos penteados.

Sunday, March 13, 2005

Ela sentou, no lugar combinado, porém quarenta e sete minutos adiantada.
Na bolsa trazia uma carteira branca com um fecho em prata, marcado pelo símbolo da loja “Youli”; a chave de casa presa a um chaveiro lilás com a inicial de seu nome, “m”;um batom vermelho, da cor do sangue;um par de luvas verdes claro; uma apiteira cinza, com seu maço de cigarros “malboro”; e sua arma em prata vivante, lustrada com carinho para a ocasião.
Sentou-se e esperou.


Ele descia as escadas, a luz acabara, já estava atrasado.Deveria ter saído a treze minutos.
No último degrau, lembrou-se que esquecera a carteira. Subiu, sete andares, cento e setenta e oito degraus, vinte passos à direita, oito no apartamento, pegou a carteira, e mais oito passos, e mais vinte passos à esquerda e mais cento e setenta e oito degraus.
Ao pé da escada novamente, lembrou-se de seu charuto, que havia ficado sobre a mesa.
Subiu.Mas na hora de descer, desistiu.
Já estava atrasado vinte e sete minutos.
Ela já teria ido embora.Sentou-se, acendeu seu charuto e fumou.

Ela , angustiada, sem saber onde ele morava, decidiu aguardar uma próxima oportunidade e agora mais do que nunca tinha certeza de qual era sua meta para com o rapaz.
Virou a esquina. Os rebeldes estavam à solta, ouviu os gritos. Não era seguro permanecer na rua mais nenhum segundo.
“Abaixo a ditadura”, cada vez mais perto.
Bateu à porta, mais ninguém abriu. E com medo de ser morta por eles, tirou sem mais nenhum pensamento sua arma, a beijou e na cabeça foi o último estalo que ela ouviu.
Pisoteada pela multidão, uma indigente qualquer.


E ele, em casa, fumando seu charuto.
Apenas, não saiu.



ps: camila, nunca aqui?

Wednesday, March 09, 2005

Eles e os outros

Lá estava ela mais uma vez, agora sozinha.
O defeito dela foi amar demais. Amou aos antigos e aos novos, tentou de maneiras inenarráveis para este misero texto, expressar esse amor à todos, mas por querer amar à todos e tentar dividir esse amor, os egoístas se cansaram e esqueceram-na.

Ela pega a corda.

Começou a ficar sozinha.Sabia que eles a amavam, mas não sabiam que ela teria amor para dar a todos eles. Começaram a fingir que ela era mais dos outros, e os outros, que ela era mais deles.E ela foi sentindo, vagarosamente em seu coração o abandono.

Ela amarra a corda no pescoço.

Lembrava-se dos dias de glória e alegria. Primeiro com eles e depois com os outros.Lembrava-se do começo, quando todos ainda estavam ao seu lado,eles e os outros...Mas agora era tudo tão distante e frio, que já doía lembrar.

Ela sobe na cadeira.

Agora eram todos mesquinhos, querendo sugar dela o resto da vida que restava.Fingiam suportá-la, mas pelas costas cuspiam-lhe tenebrosas ameaças e sangravam de ódio.Preferiam a morte à ela.E ela, sentia isso, cada vez mais.

Ela amarra a corda no cano posicionado à esquerda da cama.

Mas sabia que a dor acabaria.Por que eles a amavam e os outros também.Mas se não sabiam dividi-la, que ficassem sem ela.Pensou em fugir, mas lembrou-se de suas aulas de literatura no segundo colegial e de todos os romancistas pelos quais era fascinada. Inspirou-se neles então.E ainda ouvindo o som deles e dos outros no corredor de seu prédio, no dia do seu aniversário...

Ela empurrou a cadeira.
E agonizou.

Sobraram as lágrimas que à ela já não cabiam...
Podres deles e dos outros, que a amavam e só viram a falta, quando ela se tornou uma verdadeira romancista e a morte foi sua solução.

Sunday, March 06, 2005

um começo

Paraíso-Toni Morrison

página 23
linha 35 de cima para baixo, linha quatro de baixo para cima:

"A manchete de um artigo do Herald: " Venha preparado ou não venha." "

tradução de José Rubens Siqueira.